Tentamos sair cedo de La Paz mas não deu certo. Como a venda de combustível para veículos com placas estrangeiras é burocracia pura, sendo necessária a emissão de uma nota fiscal específica para a operação, metade manual, 33% computadorizada e o restante de maneira própria de cada estacion de serviço, acabamos pegando um trânsito pesado de cidade grande de país subdesenvolvido. La Paz é um grande buraco no meio de um vale enorme e alto. Pra entrar, ladeiras por todos os lados. Pra sair, subida interminável em zigue-zague.
Graças à ideia do Pitaki, que já veio 3 vezes pra Bolívia (o cara só pode amar o lugar), visitamos o sítio arqueológico de Tiahuanaco. Vale a visita.
Fizemos fronteira para entrar no Peru em Desaguadero. Diferente do drama na entrada na Bolívia, a saída foi completamente tranquila, inclusive com um dos agentes aduaneiros, que estudou em Ponta Grossa, quebrando um galho do Dr. Pitaki em relação ao documento de admissão temporária da moto dele (declaracion jurada), que acabou ficando perdido em um dos inúmeros compartimentos da Tryumph. Estava lá com certeza, só não se sabe onde.
Pagamos um seguro para transitar no Peru. US$ 130, válido por um ano. Em Machu Picchu descobrimos com outros viajantes que era possível contratar períodos menores, a partir de 7 dias, bem mais barato, o que nos negaram no Caja Arequipa de Desaguadero. Agência bancária oficial, não era só uma salinha quebrada como em outras fronteiras, acabou passando uma certeza sobre algo que não era devido. Pelo menos funciona, sendo o documento mais solicitado pela polícia nas estradas (as vezes o único).
Chegamos no fim do dia em Puno, depois da despedida dos Médicos do Asfalto em Desaguadero. Pitaki e Carlão seguiram para Moquegua e no dia seguinte tocaram forte até Nazca. Dali pra frente só aumentará a sensação de maratona.
Visitei o Lago Titicaca, lago navegável comercialmente mais alto do mundo (mais de 3800 metros de altitude) e onde ficam os Uros, ilhas artificiais visitadas intensamente por turistas. O Ruy, que já conhecia o lago de outros carnavais, ficou cuidando das motos e tentando comprar balas de coca e gorros coloridos com desconto da Sra. Vilma, peruana da localidade.
O trajeto Puno-Cusco foi interminável. Dia inteiro pra rodar 390 km. Paisagens belíssimas compensaram o cansaço. Vales enormes, montanhas nevadas, rios de degelo e um restaurante na altura do km 260 fizeram a diferença em relação a outras estradas. O restaurante Felipho, perdido em meio a vilarejos precários e sem um único lugar para se comer algo decente, foi feito para o turista estrangeiro que viaja entre as cidades mais conhecidas da região. Arriscaria dizer que o dono ou o chef é brasileiro, dada a forma de preparo de vários dos pratos.
Em Cusco optamos por ficar no Centro Histórico, então foi um pouco complicado rodar em meio a ruas estreitas de pedra, algumas molhadas, em constante sobe e desce e trânsito intenso, de carros e de pedestres. Sem maiores problemas, depois de descer alguns degraus de escada com a GS carregada, cheguei ao hotel e depois encontrei o Ruy no estacionamento que conseguimos para deixar as motos, já que a maioria dos hotéis aqui não possuem cocheras.
De Cusco fomos a Aguas Calientes, cidade que existe unicamente em função do turismo. Com os devidos descontos, tudo lá é bastante organizado e objetivo, voltado para o turista que vai visitar Machu Picchu. Sem saber, e na hora certa, quando o ânimo já começava a dar seus primeiros sinais de desgaste, consegui ter uma experiência revigorante, que apenas a visita às ruínas de Machu Picchu não fornece. Por sugestão do Marcelo Pinhati, maratonista que me treina nos 100 metros rasos, comprei (antecipadamente) o ingresso que dava acesso também à subida de uma das montanhas que circundam as ruínas. Escolhi a Montanha Machu Picchu, com elevação de 3.061 metros, que exige perto de 1:30 h para chegar ao topo e de onde se vê as ruínas, a montanha Wayna Picchu ao fundo e todas as demais montanhas da região. Cartão postal inesquecível e prazer de 4 horas entre subida, contemplação e descida, num dia que começou às 6 da manhã na estação de ônibus de Aguas Calientes. Perguntaram se sofri com a altitude na subida. Após ter "quase morrido" em La Paz e depois de muitos chás de coca, cheguei bem aclimatado em Machu Picchu, cansando o normal de uma subida forte.
De volta a Cusco, conhecemos a cidade e a profusão de Igrejas, todas forradas com parte ínfima do ouro que foi enviado para a Espanha, e que voltou em forma de altares e outras peças sacras.
Amanhã vamos para o penúltimo destino da viagem, Puerto Maldonado, a quase 500 km daqui. Como distância aqui não se mede em quilômetros, mas em tempo, previsão de 8 horas para cumprir o trecho.
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| Saída de La Paz |
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| Tiahuanaco |
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| Sempre alto |
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| Fronteira Peru-Bolívia |
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| Saindo da Bolivia |
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| Fronteira Desaguadero-Desaguadero |
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| Despedida dos Médicos do Asfalto |
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| Caminho para Puno |
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| Lago Titicaca |
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| Hotel no Lago Titicaca |
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| Lago Titicaca |
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| D. Vilma e Ruy |
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| Caminho para Cusco |
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| Muito frio.... |
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| Rua em Cusco |
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| Trem para Aguas Calientes |
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| Frio da manhã |
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| Só pra turista... |
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| Rumo ao cume |
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| Quase... |
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| Ta lá embaixo |
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| Machu Picchu lá embaixo |
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| Auto explicativo |
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| No topo |
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| Escaladores cansados |
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| Com os populares... |
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| Agora no lugar normal |
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| Parabéns ao Mr. Bingham - missão impossível |
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| Piazoleta de San Blas |
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| Catedral de Cusco |
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| Plaza de Armas |
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| Puro Ouro - foto proibida |
Que viagem sensacional !!! Fotos espetaculares. Nós, os caronas pelo Blog, agradecemos... Abraço, Lauro
ResponderExcluirGostei também das fotos da escalada e da vista da montanha Machu Picchu. Quando estive em Aguas Calientes, fiquei imaginando essa escalada e a vista lá de cima. Vale a pena !!
ResponderExcluirQue viagem sensacional !!! Fotos espetaculares. Nós, os caronas pelo Blog, agradecemos... Abraço, Lauro
ResponderExcluirBelas imagens, bom retorno, abraço. Abraço ao Ruy.
ResponderExcluirEdson Maschio